Máquina de inventar sonhos

Parece que o tempo passou por mim como um furacão, derrubando milhares de certezas e trazendo outras, desconstruindo ideias, pessoas, amores e trazendo em troca um mundo de situações que eu não imaginava que fossem possíveis. É estranho me lembrar como era minha vida em janeiro do ano passado, quem eram as pessoas mais próximas, quais eram meus planos para o restante do ano e olhar pro agora e ver que metade de tudo isso não se manteve e que talvez tenha até mudado para melhor… E parece besteira, mas é estranho ver tudo em paz, tudo no seu devido lugar. Quando isso acontece, por mais gratificante que seja poder deitar a cabeça e ver que algo se concretizou, surge uma folha em branco na minha cabeça pronta para começar a ser escrita novamente, num ciclo vicioso onde as drogas são os sonhos e eu estou sempre os perseguindo… Digo isso porque o momento em que nasce um sonho é um dos acontecimentos mais bonitos, onde dentro de nós nos sentimos corajosos e capazes, livres e certos a respeito de quem somos e quais são as nossas aspirações, e temos a sensação de que nada pode nos deter. Assim, no momento em que um sonho se concretiza, somos impelidos a inventar outros, continuamente.

E com tudo, consequentemente, chega a sempre presente insatisfação, a ostentação, o querer desenfreado de coisas que muitas vezes nem sabemos o que são, mas continuamos querendo, talvez como forma de descobrir a respeito de nós mesmos transformando tudo em imagens a serem perseguidas. Sonhos vividos no jardim, viagens a outros universos, idealização que nascem, crescem e desaparecem num piscar de olhos e dão lugar à novas, a à insatisfação de nunca estarmos satisfeitos, de sempre procurarmos novos sentidos para a vida, e irmos atrás de recomeços…

Perdi a conta de quantos recomeços já vivi, mesmo que intimamente, sem que todos ao meu redor pudessem notar, só para sentir o gosto de algo novo, ter assuntos novos para refletir, pensar, falar e escrever… Quem sabe por isso, vivo sempre com essa sensação de que o tempo passa como uma vassoura, levando milhares de coisas que ontem estavam aqui para a memória e as mantendo lá. Um dia elas terão algo a me dizer…