O legado de Amy Winehouse

Hoje infelizmente ao acordar recebi a péssima notícia da morte de um ícone pop, a britânica Amy Winehouse. Noticiários cheios de especulações, falso moralismo e na internet não menos: piadinhas de humor negro que não cabem no clima de luto e sensibilidade que o momento pede. Passada a revolta e o choque pela notícia, ficou a reflexão do que Amy deixou para seus fãs: tem quem acredite que seus shows de maus exemplos tenham ficado muito mais marcados para servir de exemplo para aqueles que usam drogas, do que propriamente seu talento, sua música e tudo que a cantora acrescentou em termos de fazer renascer o soul americano e abrir espaço para o sucesso de novas cantoras de jazz, blues, soul e pop não fabricado pelo mainstream, frisando um falso-moralismo e a necessidade de se vender e comprar tragédias.

Amy foi incrível, uma artista verdadeira e desbocada como há tempos o mundo da música pop não via, e sinceramente não vejo motivo para reascender o debate acerca do perigo gerado pelo uso de drogas. Prefiro deixar a discussão para os moralistas de plantão e continuar com o meu posicionamento de que cada um é responsável por suas escolhas, tem suas formas de escapar da realidade, e que isso não determina nenhuma falta de caráter. Amy fez suas escolhas, arcou com as consequências, mas vai ser eternizada pelo seu talento. Foi mais do que uma cantora de soul, jazz e pop, mas também uma compositora excepcional, que extravasava seus sentimentos de forma visceral e sincera. Amy estava doente já havia muito tempo e era claro que precisava de ajuda, mas seu talento é incontestável. Uma pena que a maioria tenha optado por enxergá-la como a esquizofrenia dos tabloides britânicos numa jaula de jardim zoológico, ao invés de notar sua sensibilidade e buscar compreendê-la.

Amy Winehouse vai deixar saudades!

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