Sou Deísta, sim. E você?

Esse é o primeiro post, de muitos, espero, desse Blog, e eu não podia começar de forma melhor: quero discutir Deus. Sei que citar Deus faz com que a maioria das pessoas pense em religião. Não quero discutir religião, quero falar sobre Deus.
Durante muito tempo neguei a existência de Deus, e me posicionei como atéia, mas com o tempo percebi que minha questão, na verdade, era um grande desacordo com dogmas religiosos. Nunca engoli aqueles ‘lugares comuns’ todos que dizem verdades sobre o que é Deus, o que acha sobre o mundo, os homens, o que é pecado, a existência de um céu, um inferno, um purgatório. Nunca gostei do sentimento de medo que me expor a essas crenças me trazia e, por isso, durante bastante tempo neguei a existência de um Deus, por que negar me eximia da culpa, da aflição, do pavor e também da falsidade. Era estranho repetir todas as noites orações cujos significados me escapavam, ter respeito por uma fé e uma crença que tinham início e fim na igreja. Minha razão então passou a questionar o dogmatismo. Quem inventou essa definição de pecado, quem realmente escreveu a Bíblia, será que a tradução foi bem feita e escapou da interferência dos homens e de seus interesses? Pensei durante anos nessas questões. Respostas? Apenas presenciei desencontro de informações. Comecei a desconfiar de tudo e todos, e deixei a religião de lado, passando a ver Deus como algo além, muito mais complexo, do que dogmas.Hoje me vejo como Deísta (“O deísmo é uma postura filosófica que admite a existência de um Deus criador, mas questiona a ideia de revelação divina. É uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma religião denominacional. (…) o conceito deísta de divindade não corresponde, necessariamente, ao que comumente a sociedade entende ser “deus”. Ou seja, existem várias formas de se compreender aquilo que é, supostamente, transcendente ou sobrenatural. Então, Deus pode ser compreendido como o princípio vital, a energia criadora ou a força motriz do Universo. Todavia, não propriamente como um ser antropomórfico.” Wikipedia), e me sinto muito melhor, tendo como único parâmetro praticar o bem e buscar ser melhor, corrigir aquilo que é possível, para o meu próprio bem e daqueles que eu amo. O que, na realidade é o que deveria ser feito por todos aqueles que tem Jesus Cristo e Deus na boca, e que sabemos, nem sempre acontece.

Dessa forma passei a pensar a humanidade e todas as suas mazelas de uma outra forma, deixando de colocar Deus ou a religião como violões e vendo o problema com as pessoas que se utilizam de Deus e da religião para impor, segregar e manipular as pessoas que, muitas vezes só tem a fé para se apoiar, à favor de seus interessem, sejam eles políticos, financeiros ou ideológicos. Daí meu problema com toda e qualquer forma de dogmatismo e o status de politicamente correto que mascarar a si mesmo com uma religião pré-estabelecida garante. Isso não me interessa.Fé e espiritualidade são extremamente pessoais, e não vejo como um mesmo dogma possa atrair tanta gente senão por meio do medo e da culpa. Eu quero ter a liberdade de julgar a partir dos meus próprios parâmetros o que tem sentido ou não para mim, me sentir bem por poder aprender com erros meus e não temerosa de um inferno ou purgatório quaisquer.



Afirmações Deístas (Wikipedia)

1- Admito uma existência divina, mas com características distinta de religiões.
2- Corroboro que a “palavra” de Deus são as leis da natureza e do Universo, não os livros ditos “sagrados” escritos por homens em condições duvidosas.
3- Uso apenas a razão para pensar na possibilidade de existência de outras dimensões, não aceitando doutrinas elaboradas por homens.
4- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de alguma religião.
5- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça.
6- Prefiro elaborar meus princípios e meus valores pessoais pelo raciocínio lógico, do que aceitar as imposições escritas em livros ditos “sagrados” ou autoridades religiosas.
7- Sou um livre-pensador individual, cujas convicções não se formaram por força de uma tradição ou a “autoridade” de outros.
8- Acredito que religião e Estado devem ser separados.
9- Prefiro me considerar um ser racional, ao invés de religioso.
10- O raciocínio lógico é o único método do qual podemos ter certeza sobre algo.

E sobre o tema recomendo três músicas para fazer questionar: Cascadura (Desconsolado)Poison (Something to Belive in) e uma música que virou versão na série Glee – Ep. 2×3 – One of us.
“Deus não tem religião.” Mahatma Gandhi