Afinal, o que é o bom-senso?

Imaginem se o bom-senso fosse uma questão de idade. Ok, vocês podem pensar que as crianças e os adolescentes seriam muito pedantes, e isso é verdade, mas ao menos teríamos a certeza de que com a chegada da idade as pessoas usariam cada vez mais esse artifício que tem andado tão em falta ultimamente. Imaginem que alegria: quanto mais velha a pessoa, mais tolerante, cabeça aberta, mais leve e menos “cri-cri”. Porém, feliz ou infelizmente, não é o caso; o bom-senso não é uma questão de idade e têm feito falta. Além disso, convenhamos, para nós, têm bom-senso aqueles que concordam conosco e, para muitos de nós, todos os demais estão ocupando apenas mais espaço no mundo e dificultando nossas vidas. Afinal, o bom-senso é algo que só você tem, e não pertence a mais ninguém. É a lei daquele que está por cima, e quem está por baixo é que se dane!

Mas será que não dá pra decidir de uma vez o critério para o tal do bom-senso sem levar em conta somente a nossa opinião? Não dá! Estamos afogados numa maré de indecisão coletiva, e o maior reflexo disso é a necessidade quase patológica de cuidar e dar opinão sobre a vida do outro, de cobrar atitudes politicamente corretas do mundo inteiro quando nós mesmos fazemos cagadas o tempo todo, e mais uma porção de coisas que eu passaria a vida enumerando. E então, o resultado de tudo isso é que não encontramos um consenso e ficamos nessa espécie de “lei do mais forte” ou “o inferno são os outros”, etc…

E, perdidos no meio dessa confusão e de gente trocando cobras e lagartos, o que sobra aos que tentam resgatar o bom-senso das gavetas é ficar de saco cheio disso tudo e viver da sua prória maneira, que não é necessariamente politicamente correta, mas também não prejudica ninguém. Talvez o bom-senso de verdade, que coitado, tem sido confundido com tantos outros adjetivos, seja o velho bordão do “viva e deixe viver”.