Foi assim, é assim, mas assim é demais também…

Tenho pensado em tantas coisas, que fica difícil não escrever… É  nas palavras que tenho encontrado conforto dentro de mim mesma, e me escondido para poder encontrar fragmentos perdidos dentro de mim e entender o que se passa. Sei de cada detalhe meu, tenho planos perfeitamente traçados, só esperando a hora de começarem a ser realizados, sei de cada falha e cada ponto positivo, sei de mim com tanta clareza que não preciso mais de espelhos, talvez só precise achar a cartilha que me ensine a lidar com isso.

E onde achar a cartilha, onde aprender a ser gentil comigo mesma, onde aprender a ter calma, a complacência, a deixar de impôr a mim mesma uma pressão muito maior do que a que vem de fora? Tenho um desespero muito grande, uma vontade incrível de ser alguém, porque no fundo eu sei que até liberdade é um bem adquirível e comprável nesse país onde a lei não existe, e em todos os lugares. Tenho minhas muitas idiossincrasias e desespero para sustentá-las até quando elas existirem, quero levar um estilo de vida tão meu, que o preço a pagar por isso não é só simbólico e emocional, mas financeiro também.

E com tudo isso, acho absurda a capacidade que algumas pessoas têm pra pregar aquele discurso do “pobre menina rica”, a que sempre teve tudo e não sabe a hora de parar de pedir por mais, a que tem tudo, mas não tem paz. A questão aqui é querer sempre ser mais, e pra minha satisfação apenas, de muitas vezes abrir mão de algumas coisas para poder construir outras, e ralar para conseguir todas elas. De conciliar meus hobbies e as muitas obrigações, de nunca achar nada bom o suficiente para me contentar e parar de ir em busca de coisas novas, de abrir mão de muitas coisas que nos meus 19 eu deveria estar ocupada pensando, mas estou na verdade ocupando esse tempo com assuntos mais pertinentes. A questão é encontrar um sentido para mim, e não para o mundo.

Eu tenho preguiça dos que não fazem nadas com suas vidas e acham que é pecado, que é triste e mais um monte de coisas eu fazer algo da minha.

* O título é um trecho da música “Odeio”, do Caetano Veloso.