#GuiaDoMês: O que fazer ao sofrer violência doméstica?

A violência doméstica é real e atinge mulheres de todas as classes sociais, faixas etárias, grupos étnicos, religião, cultura, orientação sexal e formação acadêmica. A violência doméstica pode ser física, psicológica, sexual ou econômica, e ainda uma mistura de um ou mais desses fatores e é importante que as mulheres saibam que a Lei Maria da Penha – que completou 11 anos e é reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações de enfrentamento à violência de gênero do mundo – abrange todas essas formas de violência. Apesar de ser uma lei que vem mostrando resultados, tendo reduzido em 10% a quantidade de assassinato de mulheres, o Brasil ainda é o 5º país com mais casos de violência contra a mulher, com mais de 1 milhão de mulheres por ano passando por situação de vulnerabilidade, segundo o IBGE.

Foi pensando nisso que o Poética Licença disponibiliza um infográfico para que você possa entender melhor como funciona a Lei Maria da Penha e como proceder caso você ou alguma mulher próxima passe por essa situação.

Lei Maria da Penha. O que fazer ao ser agredida pelo companheiro. Como conseguir medida protetiva. Ameça. Violência contra a mulher. Violência doméstica.

 

Filme da semana: E se eu ficar (2014)

Estou me desafiando a assistir um filme por dia até o final do próximo ano. Será que consigo? Se serão 365 filmes assistidos, não garanto, mas, como acredito que conhecimento não compartilhado não serve para coisa alguma, toda semana irei dividir com vocês aqueles de que mais gostei. Há tempos não escrevo sobre filmes e livros favoritos. Isso deve mudar.

Por recomendação de um amigo assisti a um filme que você não deve assistir sem uma caixa de lenços ao lado. Você vai chorar! Chama-se Se eu ficar. Lançado em 2014, o filme foi baseado no livro de mesmo nome, escrito pelo autor Gayle Forman e terá uma continuação, pois o segundo livro da série, Para onde ela foi, já foi lançado.

Fazem parte da trama a atriz Chloë Grace Moretz como Mia Hall e Jamie Blackley como Adam Wilde. Na história, Mia é uma jovem de 17 anos que toca violoncelo, enquanto Adam é o vocalista de uma banda que está se destacando e começando a fazer sucesso em Portland. Os dois se apaixonam, mas tudo muda quando Mia sofre um acidente trágico que mata toda sua família. Então, em coma, ela busca reviver os momentos de sua vida enquanto decide se irá acordar ou não.

Comecei a ver o filme pensando que seria mais um blá blá blá de adolescente, mas acabou me surpreendendo. Primeiro porque os atores são mais profundos do que parecem, depois porque o filme não segue uma linha cronológica firme, o que causa muita tensão e expectativas: ficamos ansiosos para saber o que acontece com Mia após o acidente e somos impedidos pelos flashbacks. A trilha sonora também é sensacional e um dos momentos mais incríveis é a cena em que os personagens fazem uma versão de Today, do Smashing Pumpkins.

Fiquei inclusive com vontade de ler os livros, apesar de ter lido críticas dizendo que o filme acaba sendo melhor por causa da trilha sonora. Mas quero saber o que irá suceder na segunda parte da história. O final me deixou muito ansiosa. Nesse fim de semana também revi “Amizade Colorida” e “Borat”, dei muitas risadas e o filme faz uma crítica espetacular!

Assisto e recomendo: O Negócio – Série Nacional no HBO

Aproveitando a noite de sábado, passei aqui para fazer algo que há séculos não fazia: recomendar uma série nacional incrível chamada O Negócio. Criada por Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho, a série estreou em agosto de 2013 e agora está em sua 2ª temporada, causando muita polêmica e recheada de cenas quentes.

A história conta sobre três mulheres, Karin, Luna e Magali (Rafaela Mandelli, Juliana Schalch, Michelle Batista), que buscam dar uma guinada em sua profissão. Acontece que as três são garotas de programa e, em meio ao caos aéreo de São Paulo, dão início a uma carreira de muito sucesso.

O que me chama a atenção na série é ver a prostituição sendo tratada por um ponto de vista ao qual não estamos acostumados: as profissionais são mulheres seguras, donas de si mesmas, que não adentraram o mundo da prostituição devido a qualquer tipo de opressão. Elas querem dinheiro, querem independência, e a prostituição nada mais é do que sua forma de empoderamento.

No mais, a produção é muito bem feita, provando que o Brasil é capaz de criar entretenimento genuíno, de qualidade e encontrar um público assíduo e fiel.

Metáforas…

Esquecer um amor que te machuca, se livrar de um sentimento que te corrói é como uma cirurgia. No início a ideia assusta e, depois, a cicatriz pode doer por um tempo. Mas, provavelmente, abrir uma ferida e arrancar de dentro o que há de errado é o que irá te salvar e garantir que os próximos anos possam ser vividos.

 

Namorado de Aluguel

Recentemente me chamou a atenção nas atualizações de uma colega em uma rede social um compartilhamento de um tal de “namorado de aluguel”. Um pouco desacreditada, sem saber muito o que esperar do assunto, abri o link para ver do que se tratava e lá estava: era um rapaz que vendia seu tempo livre por R$100,00/hora e se propunha a sair com mulheres para “emprestar” sua companhia. Dizia no anúncio de seu site que aceitava convites para jantares – desde que a anfitriã pagasse -, tardes assistindo comédias românticas de pijama na sala, que seria capaz de conversar sobre todo e qualquer assunto, de colocar a moça para dormir, e, cereja do bolo, topava inclusive sair nas fotos do álbum de casamento daquela amiga que convida a mulher constrangedoramente para seu casamento.

Fiquei desorientada. Primeiro porque não tratava-se da venda de sexo, prazer, algo a que já nos habituamos, e sim de um “namorado de aluguel” vendendo seu  tempo e sua atenção. Depois porque parece que finalmente estamos nos tornando vítimas das nossas próprias criações, conectados até enquanto dormimos mas criando relações humanas cada vez menos íntimas e sólidas, tanto que estamos começando a ser seduzidos pela ideia da compra e venda de carinho e atenção, algo que sempre tivemos gratuitamente e de bom grado. Após uma breve pesquisa, descobri ainda que hoje pode-se contratar namorados de mentira via Mercado Livre e especializados em causar ciúmes e despertar a inveja nas redes sociais através de sites que fazem pacotes de acordo com o número de comentários amorosos que se deseja nas redes e que vêm fazendo o maior sucesso.

Se por um lado pagar por uma boa companhia garante uma troca de experiências honesta difícil de se encontrar por aí, por outro  parece triste depois do combinado simplesmente assinar um cheque e voltar para casa com a solidão de companhia. E eu diria ainda que a solidão não é um problema, que ela é necessária e importante, que todo mundo deve aprender com ela doses de amor próprio e pilulas de auto-conhecimento e que invejável mesmo é ser bem resolvido. Dane-se se todas as amigas estão pensando em se casar no próximo ano, se todo aquele pessoal do colégio hoje está começando a ter filhos. Enquanto se fica para titia a gente planeja uma viagem, improvisa.

No mais, toda mulher com R$100,00 por hora disponíveis para gastar provavelmente prefere investir em roupas, pares de sapatos, perfumes e bolsas. Estes ainda duram mais do que uma boa companhia – paga.

Bates Motel

Acordou naquela manhã com o céu ainda nublado invadindo o quarto. Tudo era impessoal, mas, ao mesmo tempo, parecia tão familiar que ela sentia que era parte de tudo aquilo.

Quando abriu os olhos o viu ainda dormindo e reparou que as mãos dele a prendiam, de forma que se mexendo o acordaria também. Ficou o observando. Aquele homem estranho e sua barba, e seus traços que faziam uma bela combinação entre si, mas que ela não sabia se eram bonitos em si. Ela acariciou aquele rosto, passou a mão naqueles lábios, ajeitou aquele cabelo.

“Se existem duas coisas que eu não gosto posso apostar que são galãs e gente dentro da caixinha!”, pensou.

Ele não era galã e muito menos dentro da caixinha. Era humano e imperfeito, não aquele estereótipo de gente feliz e descomplicada. Era cheio das idiossincrasias que ela gostava de achar graça observando a si mesma. Ela também gostava de observar suas roupas e a forma como mesmo engomadinho ele se destacava da multidão de engomadinhos. E exercia uma espécie de fascínio sobre aquele cara estranho, de feição séria, que convencia a todos menos a ela. Adorava ele almofadinha e ele perdendo a cabeça e abrindo o coração.

Se aninhou com ele na cama e mesmo seus movimentos mais singelos o acordaram. Se abraçaram e ela gostava daquele abraço como gostava de nenhum outro lugar no mundo. Cada toque dele tocava também a alma. Não era sexo, era ópio. Lícito, mas ainda assim, ópio.

Voltaram a dormir os dois. Ela mais sã e certa do que nunca e ele… Bom, ele era ele.