O Kindle Paperwhite vale a pena?

Olá, pessoas!

Há dois meses resolvi comprar um Kindle. A versão que eu tenho é a do Kindle Paperwhite sem 3G. Porém, antes de comprar, eu tinha muitas dúvidas se valeria a pena ter um. Eu vivia dizendo que gostava dos livros em papel, que não gostava de ler PDF e minhas principais razões para querer um leitor de e-books eram o peso de alguns livros – eu já não lia calhamaços pelo peso – e ter que levantar da cama para apagar a luz antes de dormir – isso me dava tanta preguiça e tanta raiva de não ter um interruptor próximo à cama, que eu já nem lia mais antes de pegar no sono. Mas comprei o Kindle, não me arrependo e estou viciada e apaixonada por ele. Vamos lá conferir o que mais gostei a respeito dele.

“Ah, Veronica, mas você não fica com vontade de comprar livros de papel?”. Sim, mas compro agora só os livros que eu quero deixar na estante, e dos meus autores preferidos. Até mesmo porque os ebooks são tão mais baratos que eu iria à falência se comprasse a versão em papel de tudo que eu leio. E vocês, têm Kindle? O que acham sobre os leitores de ebook? Deixe sua opinião nos comentários!

O Poética Licença está de volta!

Olá pessoal!

Depois de dois anos resolvi que era a hora de voltar a escrever aqui. Passei por um período de bloqueio criativo muito grande, então decidi que a melhor alternativa seria usar essas férias forçadas para amadurecer algumas ideias, me alimentar de coisas interessantes e deixar a criatividade fluir naturalmente. Nesse período li muito, aprendi a fotografar, engatei um namoro que já dura mais de dois anos, adotei mais dois gatos, mudei de emprego e faculdade, fiz novos amigos e mais um monte de coisas. E agora estou de volta! Como vocês já devem ter percebido, o blog está com endereço novo e cara nova!

De agora em diante, procurarei deixar de lado assuntos relacionados a política e causas sociais e escreverei sobre livros, séries, músicas e comportamento. Há muitas novidades vindo por aqui. Não deixem de acompanhar pela página do facebook!

Crônicas de um amor clichê

 

Ainda me lembro daquela tarde de café no Starbucks e a nossa foto tirada no espelho. Não bastasse todo o clichê de filme americano, eu também achava que estava diante do único ser humano que poderia compreender meus clichês existencialistas. Mulher-independente-segura-cheia-de-si-e-de-aço-com-vontades-próprias-mas-que-também-quer-um-amor-porra. Tão simples, não? Não. Confirmado à contra-gosto o clichê de que homem teme sim mulher que sabe de si e impõe suas vontades e que mulher, claro, adora fazer cena pra ver se no desfecho se sente um pouco mais amada. Outro clichê que confirmo com vontade é que mulher sempre enfia o pé na jaca com menos cuidado. Se doa, imagina, faz planos enquanto arruma o formato da sobrancelha sozinha diante do espelho e, se não tomar cuidado, se frustra.

Nunca soube conduzir muito bem o raciocínio, mas o que me parece, é que os poetas e seus clichês estão todos certos. “Amor é um cão dos diabos”, ou seja lá o que você escolhe dizer se não for chegado a Bukowski. Prefiro vodka. Amor é uma merda. Amor enche o saco. Dá dor de estômago. Tira o sono. Xico Sá já disse: “A vida é breve, a D.R. é longa.”.

Se a gente ama demais, acaba não amando de um jeito que seja eficaz: esquece que amar também é dar espaço pro outro não sufocar, e esquece de se amar também. Se ama de menos… Calma, existe isso de amar de menos? Existe tanto pra se dosar. Aprender a fazer concessões. Dialogar. A cabeça de uma mulher sempre faz parte do quebra-cabeças masculino.

No final das contas, meus caros, mulher nenhuma é santa mesmo. Dentro da nossa cabeça sempre mora um diabinho que vos insiste em manipular com as mais descaradas chantagens emocionais e atuações teatrais. Na verdade, ela não te odeia. Ela te ama, mas o fez acreditar que está transando com o cara mais maravilhoso do planeta porque você não deu conta do recado. Mas deu sim. E ela não te tira mais da cabeça. Você só deu uma mancada, e ela quer que você reconheça sua parcela de culpa. E ela gosta de saber que ganha tão bem quanto você, ou que rala igual, agir como quem não precisa de ninguém, mas ela precisa. E aposte que justamente por isso, por ela ser dona de si, é que ela te deixa ser cúmplice nessa propriedade privada com tanta honestidade. Uma mulher sempre vai ser um pouco de ajuda ou bagunça no seu caos.

P.S.: Me desculpem por mais um texto hétero normativo demais.

 

 

Uma crônica sobre amores imperfeitos e reais

Às vezes parece mais simples ficar sozinho. São tantas qualificações requisitadas, tantos empecilhos postos para evitar possíveis pretendentes, que temos a impressão de que fica cada dia mais difícil de encontrar quem nos agrade e iniciar um relacionamento. O moço, ou a moça, dos nossos sonhos precisa ter um tipo de beleza que nos agrade, ser inteligente, ter um gosto parecido com o nosso, ter bom humor, mas também não pode ter humor demais. Precisa gostar de viajar, de ler livros interessantes, não ser ciumento, mas precisa ter um pouco de romantismo. Diante de uma lista tão grande de pré-requisitos, acabamos por vezes fantasiando um príncipe encantado que jamais existirá. A metade da laranja, a tampa da panela, a alma gêmea, sao todas criações do imaginário coletivo.

Por mais idealizações que façamos, vamos ter que nos conformar: nossas relações são reflexos de nós mesmos e, sendo assim, nossos amores sempre serão imperfeitos e reais.

Inevitavelmente vamos nos apaixonar por alguém que tenha manias irritantes e defeitos que aprenderemos a aceitar. E provavelmente nos apaixonaremos muitas vezes por pessoas que nunca imaginaríamos que fosse possível. E, óbvio, quebraremos a cara por diversas vezes também. Mas por quê?

De Ocidente a Oriente, no Brasil ou na Islândia, não importa a cultura ou a religião, as pessoas vivem uma incessante busca pelo amor. Alguns psicanalistas afirmam que a procura por um parceiro se da por querermos sanar o vazio existencial que adquirimos diante da separação de nossas mães no nascimento, outros afirmam que buscamos relacionamentos porque é através da convivência com outrem que descobrimos facetas de nós mesmos, que temos a chance de nos encontrar e nos redescobrir.

Além de tudo isso, temos o fator influência cultural que nos faz querer casar, ter filhos, família, casa, e alguma sensação de segurança, ainda que falsa, afinal tudo pode mudar a qualquer momento.

Seja lá qual for a vertente de pensamento correta, e ainda que a nossa busca atordoada por um amor para chamar de nosso seja fruto da soma de todas essas hipóteses e mais algumas, fato é que todos nós estamos buscando o que fazer diante da vida. E se precisamos ir até o fim, sem nem saber que fim será esse, que ao menos tenhamos alguém para dividir os sonhos, os domingos chuvosos e aproveitar a sensação de aconchego que é poder ser aquilo que se é sem precisar provar nada a quem quer que seja.

"Medo que dá medo do medo que dá…"

Renato Russo colocou em palavras uma realidade do meu cotidiano: “Todos os dias antes de dormir, paro e penso como foi o dia.”. É nesse momento que penso nas minhas tantas incertezas, em minhas certezas tão mutáveis e pego no sono tentando responder as retóricas em minha cabeça. São tantas contradições e paradoxos, tantos medos e tantos atos de coragem, tantas cobranças e tanto descompromisso, que me faltam estruturas para organizar tudo em pensamentos coerentes. A coerência me foge o tempo inteiro.

Eu tentei ser coerente com as minhas escolhas, ser coerente nos meus amores, com a minha escrita, mas descobri que meu maior compromisso é com a vida. É ela que eu quero valorizar, é sobre ela que não quero ter a sensação de que deixei para trás. Eu posso carregar o peso de saber que fui incoerente e contraditória, mas não o peso de que fiz da vida algo que não gostaria. Eu aguentaria a culpa por magoar qualquer pessoa, menos o fracasso declarado por mim mesma me dominando a cabeça. Eu aguentaria me contradizer dia após dia em todas as crônicas e pensamentos que publiquei, mas não o peso de permanecer presa a uma ideia que não sou eu.

Vivo com essa necessidade constante de saber cada dia mais quem eu sou e o sentido de estar presa nesse universo, com a jocosidade de ser alguém entre outras bilhões de pessoas. Vivo achando que devo fazer algo de muito útil, de muito extraordinário, de muito inovador. Vivo pensando que talvez eu precise de respostas para as perguntas que ninguém faz, precise enxergar por ângulos que ninguém olha.

Afinal, “será que não temos tempo a perder” ou “temos todo o tempo do mundo”?, qual é o limite que separa a nossa coragem da covardia?.

E sei é que preciso aproveitar melhor o meu tempo, é que minha vida precisa parar de existir apenas depois que saio do trabalho e cumpro minhas obrigações. Minha vida deve começar no instante em que acordo e não ser vã no momento em que desligo. E sei que a coragem de viver minhas escolhas e colocar em prática as imagens que circulam em minha cabeça, não significam a ausência do medo. A ausência de medo é burrice. Negar o medo é negar a existência humana. Coragem talvez signifique que existem vontades, sentimentos, lugares a se conhecer, planos para concretizar, que são mais grandiosos que nossa gana por controle. Coragem é desapegar, ainda que doa. Coragem é se entregar, mesmo que sofra.  Coragem é saber que algo é maior que o nosso medo.

* Título faz parte de Medo, música de Lenine e Julieta Venegas.

Sobre adequar-se…

Ser mulher não é tarefa fácil. Ser mulher e não fazer parte do padrão branca, magra, alta, bonita e gostosa, é mais difícil ainda. Fica impossível não sentir inveja dos homens por seu universo de preocupações e variações hormonais ser muito menos complexo do que o feminino. Fica ainda mais difícil de não sentir inveja dos homens por vê-los crescendo livremente aprendendo a se impor como indivíduos enquanto nós, mulheres, crescemos aprendendo a nos castrar, nos adequar, nos comportar. Enquanto eles se sujam, aprendemos como devemos nos sentar para não mostrar a calcinha. Enquanto eles comentam sobre a bunda das garotas ou sobre seus recordes de pegação, estamos preocupadas em não termos fama de galinha ou determinadas a nos adequar ao gosto deles. “Não pode ser muito alta e nem muito baixa. Nem gorda e nem magra demais. Tem que ter peito e ter bunda. Cabelo com cachos, só se não for ruim. Se beijou vários meninos da escola ou não se encaixa nas alternativas anteriores, não serve pra namorar, só serve pra ficar.”. E nessa ânsia pueril de sermos aceitas é que entramos em dietas malucas, choramos na frente do espelho por termos celulite, estrias, peito de menos, gordura demais, a bunda que não está empinada, o rosto que está com espinhas, o cabelo que não fica no lugar. Nunca parecemos boas o suficiente, adequadas o suficiente, ideais o bastante para sermos desejadas, amadas e queridas quanto as garotas photoshopadas nas capas de revistas e nos papéis principais.

Faz muito tempo que tento escrever esse texto, mas nunca consigo por motivos de ~~ não quero soar como a feminista mal amada e cheia das neuras ~~. Mas a questão é que, mesmo com toda a consciência que adquiri com horas de leituras e discussões sobre as opressões que sofrem as mulheres perseguindo um padrão de beleza inalcançável, não consigo me livrar dessa pulga atrás da minha orelha querendo me fazer acreditar que devo me adequar, que não sou boa o suficiente, que nunca conseguirei ser feliz de verdade enquanto eu não for linda e incrível como uma ~~mulher ideal~~deve ser. Nunca consigo me privar de pensar que eu me sentiria muito mais feliz se tivesse o quadril um pouco mais largo e gastasse 15 mil pilas colocando um implante discreto de silicone nos peitos, mesmo que fosse obrigada que enfrentar meu medo absurdo de hospitais, agulhas, bisturis e o risco real que uma cirurgia desse nível possui. Ainda que eu odeie esses padrões absurdos, tente arrancar essas ideias fixas da minha cabeça e acredite veementemente que tudo isso não passa de um desperdício de tempo, dinheiro e sanidade, não consigo me livrar. É mais forte do que eu.

E é triste que a nossa felicidade seja rifada por essas preocupações. É triste a gente passar metade de uma vida desaprendendo tudo o que nos ensinaram desde as barrigas de nossas mães e soframos nos sentindo ridículas, ainda que sejamos incríveis de fato, por não fazermos o tipo desse ou daquele rapaz. Requer muito trabalho não sucumbir às pressões que nos cercam de todos os lados e aprendermos que, ao invés de nos adequar, devemos valorizar quem nos ama e admira por quem somos, independente de como somos. Me parece, no momento, a luta de uma vida inteira. E a gente passa uma vida inteira aprendendo a se gostar enquanto poderia estar aprendendo qualquer outra coisa, não fosse a necessidade capitalista de senhores que buscam lucrar abalando nossa auto estima.