#Resenha: Passarinha – Kathryn Erskine

Boa tarde, pessoas!

Hoje vim aqui falar sobre um livro que muita gente falou bem: Passarinha, da escritora Kathryn Erskine. Esse livro é muito emocionante e provavelmente único, pois a narradora, Caitlin, é uma menina de 10 anos portadora da Síndrome de Asperger. Para quem não conhece a síndrome, ela é um estado do espectro autista que afeta a capacidade de se socializar e de se comunicar com eficiência. Algumas das características que as pessoas que têm Asperger apresentam são dificuldade para interpretar sinais sociais, expressões faciais, manter conversas, olhar nos olhos, gerir suas emoções, apresentar empatia, entre outras.

Caitlin é uma menina muito inteligente que está na quinta série, mas lê livros de adultos e desenha impecavelmente. Porém, devido à Síndrome de Asperger, ela não é muito boa em interpretar expressões faciais e, como não sabe por que as pessoas estão se comportando de determinada maneira, nunca conseguiu ter um amigo na escola. Ela parece estranha e as demais crianças não conseguem entendê-la. E tudo fica mais difícil quando seu irmão mais velho, Devon, morre tragicamente. Era ele quem dizia a ela como agir e que a fazia se sentir segura. Seu pai, sem saber como lidar com o próprio luto, não sabe como ajudá-la agora que ela não tem nenhum apoio além de sua terapeuta na escola.

Com a ajuda de sua terapeuta, a Sra. Brook, Caitlin vai amadurecendo a aprendendo algumas habilidades sociais enquanto nós, leitores, conseguimos ter uma leve ideia de como funciona o cérebro de uma pessoa portadora da Síndrome de Asperger. Percebemos, por exemplo, que Caitlin não tem muitos filtros na hora de falar o que pensa, sendo sincera demais, que tem dificuldade em conter as emoções e também que tem algumas manias como chupar a manga da blusa e não usar cores ao desenhar.  O livro é recheado de sentimentos, rico em detalhes e encantador. A autora é brilhante em abordar temas tão delicados quanto o autismo e o luto, e muito embora o livro não seja fácil, há algumas situações muito engraçadas. O bonito no livro é ver como mesmo com tantas dificuldade, Caitlin trabalha em um desfecho para superar a morte de seu irmão e ajudar seu pai.

E você, já leu um livro diferente e sensível como Passarinha? Deixe seu comentário!

#Resenha: Apenas um garoto – Bill Konigsberg

Oi, gente!!

A resenha de hoje é de um livro que eu amei, mas amei tanto que me deixou com uma ressaca literária daquelas! Fiquei tão triste por ter acabado de ler e simplesmente passei dois dias pensando nos personagens, não conseguia ler nada que chegasse aos pés desse livro! Apenas um garoto, do autor Bill Konigsberg, é mais um romance de temática gay que falo aqui no blog e que foi simplesmente incrível.

O livro conta a história do Seamus Rafael, o Rafe, um garoto que vive no Colorado e é filho de pais hippies veganos que apoiam absolutamente sua orientação sexual, assumida aos 13 anos de idade. A aceitação dos pais, que para muitos homossexuais seria uma solução, para Rafe é quase um problema: seus pais organizam uma festa surpresa para revelar para toda a família que Rafe é gay, sua mãe se torna presidente de uma associação de apoio a homossexuais de sua cidade, sua melhor amiga, Claire Olivia, acha incrível o fato de ele ser gay. Não se fala outra coisa a respeito dele que não seja sua orientação sexual e Rafe não aguenta mais ser rotulado como O GAY. Esse é um ponto muito importante para nossa reflexão, pois super valorizamos a orientação sexual das pessoas, como se isso fosse tudo que temos para dizer a respeito delas, quando, na realidade, essa é apenas mais uma característica. Então, para colocar um fim nessa história de rótulos, Rafe toma a decisão de se matricular em um colégio interno só para meninos no Sul no país - região conhecida por ser extremamente conservadora - e não contar para ninguém que é gay.

No novo colégio, Rafe descobre coisas a respeito de si que ele não fazia a mínima ideia - o rótulo de gay o impedia, muitas vezes, de fazer coisas consideras de hétero, como praticar esportes e ser amigo de outros homens sem que isso gerasse desconforto. No entanto, apesar de Rafe ter toda a razão ao afirmar que ser conhecido como o garoto gay o tempo inteiro enche o saco, ele acaba se metendo em um problema e tanto ao se apaixonar. Mas até que ponto negar uma parte tão importante de si é possível? Omitir a sua sexualidade é mentir? Todas essas questões são respondidas de uma maneira brilhante no livro, que inclusive, já teve sua continuação lançada nos EUA. A continuação ainda não foi traduzida, mas eu pretendo ler mesmo assim quando abaixar o preço do ebook na Amazon!

Por favor, leiam esse livro! O autor foi fenomenal ao abordar esse assunto, sempre deixando claro que Rafe sabe que é um privilegiado por seus pais serem tão compreensivos em relação a sua sexualidade, mas que, mesmo assim, o estigma gay ainda pode ser um fardo difícil de ser carregado. Apenas um garoto tem a dose certa de problematização, romance e humor!

#Resenha: Simon vs. A Agenda Homo Sapiens

Olá pessoas!

Hoje vim aqui falar sobre um livro que gostei muito: Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, da escritora estadunidense Becky Albertalli. Esse livro foi muito legal principalmente por abordar um assunto que não encontramos com frequência nos livros: a homossexualidade.

O livro irá contar a história de Simon, um garoto de 16 anos que ainda está no armário. Seus pais são bastante modernos, mas ele ainda não se sente preparado para assumir sua orientação sexual. Simon tem um e-mail secreto para esconder sua identidade e vem trocando mensagens com um garoto que se apresenta como Blue. O misterioso Blue, que Simon não faz a mínima ideia de quem possa ser, mas que toma um papel cada vez mais importante em sua vida. Porém, aparece Martin, um cara babaca da escola que descobre os e-mails secretos entre Simon e Blue, e passa a chantageá-lo para não contar para toda a escola que Simon é gay. Essa combinação clichê entre segredo, romance e chantagem é o que torna esse livro tão envolvente, além claro, do romance entre dois garotos que, por ser uma novidade na literatura, proporciona à escritora utilizar um clichê sem que isso se torne um problema. O livro é narrado por Simon e contém todos os emails que são trocados entre ele e Blue - emails muito fofos, por sinal!

Como é de se esperar de um romance de temática gay, o livro levanta indiretamente algumas discussões com o leitor, como por exemplo, a gravidade de tirar alguém do armário à força, o preconceito com homossexuais e outras questões que não posso falar para não levantar spoilers. Simon vs. A Agenda Homo Sapiens é um livro leve, divertido, cativante e que tão bom que vai virar filme!

As gravações já começaram e o filme ainda não tem data prevista de lançamento. Entre os atores escolhidos, teremos Jennifer Garner e Josh Duhamel como os pais de Simon, e Katherine Langford, a  Hannah Baker, de 13 Reasons Why, como Leah Burke, melhor amiga de Simon e Nick Robinson, que foi protagonista de Jurassic World, como Simon Spier:

E vocês, já leram o livro? O que acharam? Conhecem livros do gênero que recomendam?

Deixem sua opinião nos comentários!

#Resenha: Auggie & Eu – R.J. Palacio

Olá, pessoas!

Vim aqui hoje para falar sobre alguns livros que li esse mês! Li Extraordinário, da R.J. Palacio, e amei tanto que, assim que terminei, fiz uma resenha dele aqui no blog por que eu simplesmente precisava falar sobre esse livro com alguém. Após ler Extraordinário, fiquei louca para ler O Capítulo do Julian, Shingaling e Plutão, os demais livros da R.J. Palacio que mostram o ponto de vista de outros personagens de Extraordinário sobre o August Pullman. Auggie & Eu reúne em Volume Único as três estórias, que também podem ser encontradas separadamente.

Vamos lá às impressões que tive! Sabe quando um autor lança um livro muito bom e a continuação te deixa frustrado? Pois é, você se sente lendo uma continuação que quer apenas ganhar dinheiro em cima do sucesso da primeira! Shingaling e Plutão, talvez agradem ao público infanto juvenil, que ainda não tem muito senso crítico, mas achei que foram continuações um tanto forçadas. O primeiro, conta a história da Charlotte, a garota que participou da comissão de boas vindas ao August na escola, e revela sua paixão pela dança e suas inseguranças. Tem alguns pontos legais, como a preocupação dela quando um artista de rua deficiente visual que ela sempre via se apresentar no caminho da escola desaparece de repente e também as explanações dela sobre a amizade, sobre se encaixar e ser uma pessoa legal. No entanto, o livro não apresenta nenhum acontecimento memorável, que o torne marcante. Já o segundo, Plutão, conta a história de Christopher, o primeiro e melhor amigo de August. O livro mostra a infância de August como um garoto diferente e a visão do melhor amigo sobre as demais crianças que preferem não se aproximar dele por conta de sua aparência. No mais, o livro também não apresenta nada muito marcante.

O Capítulo do Julian é muito bom! Vai revelar o amadurecimento de Julian, o garoto que era responsável pelas brincadeiras de muito mal gosto contra August na escola, e como ele irá reverter suas más ações. Suspenso por duas semanas por praticar bullying, quando volta à escola sente-se enciumado por perceber que o Auggie está se saindo bem e fez alguns amigos. Iremos perceber que Julian é um garoto que tem um padrão de vida alto, cujos pais são arrogantes e que ele é espelho das atitudes que presencia em casa, acreditando que o mundo gira em torno de si e sendo mimado. Mas quando Julian precisa passar as férias na casa da avó judia na França e fica sabendo que ela fugiu dos nazistas na 1ª Guerra Mundial, os detalhes da aventura de sua avó paterna irão fazer com que ele tenha faça algumas reflexões. Vale muito a pena!

#Resenha: A Lista Negra – Jennifer Brown

Olá pessoas!

A resenha de hoje é de uma escritora que já falei por aqui, a Jennifer Brown. A autora é bastante conhecida por abordar temas polêmicos e chocantes em seus livros e com A Lista Negra não seria diferente! Antes de começar a falar sobre o livro, ele não tem nada a ver com aquela série The Blacklist, ok?

O livro conta a história da Valerie Leftman, uma menina de 16 anos que passa por diversos problemas em casa e sofre bullying no Ensino Médio. Valerie é constantemente chamada de "irmã da morte" por seus colegas de escola por se vestir de preto e é importunada por pessoas que fazem de tudo para que ela, todo dia, tenha um péssimo dia. Mas, como toda garota de 16 anos, ela só quer se sentir segura e acolhida e por isso se apega tanto a Nick, que é seu namorado e confidente. Nick também sofre bullying e, em seu caso, a pobreza de sua família é que o leva a tantas perseguições no colégio, pois ele não tem grana para investir em um bom tênis e em roupas legais. Valerie e Nick têm um caderno, a lista negra, na qual eles registram o nome de todas as pessoas que fazem piadas com eles e os maltratam, pessoas que eles adorariam não ter que conviver todos os dias. O problema é que enquanto para a Valerie esse tal caderno é apenas um desabafo, para Nick é algo muito sério e um dia ele resolve ir armado para a escola e matar as pessoas que eles haviam colocado na lista negra. Valerie não sabia que o namorado seria capaz de fazer isso, não queria que ele tivesse atirado nas pessoas e nem matado ninguém. O problema, porém, é como explicar isso para a polícia e para a cidade inteira. Chocante, não é? Ao ler o livro, você irá testemunhar o rumo que a vida da Valerie vai tomar após tudo isso!

O livro é contato em primeira pessoa, nos mostrando os pensamentos da Valerie, e alterna trechos de noticiários, o que faz com que tudo pareça muito real. Com os recortes das reportagens passamos a ter dimensão de como a sociedade está enxergando a situação e qual é a reputação da protagonista. Através desse recurso, a escritora nos mostra a visão não só da imprensa, mas também de sobreviventes e de familiares das vítimas do massacre.

Acredito que A Lista Negra é um daqueles livros que todo mundo deveria ser obrigado a ler no Ensino Médio pois aborda um tema que ainda é muito superficialmente discutido: o bullying. O livro nos mostra que esse tipo de humilhação na escola pode ter consequências graves, afinal, nunca sabemos quais outros problemas um jovem pode estar enfrentando além do bullying. No caso de Nick, uma família desestruturada, extrema pobreza, falta de perspectiva na vida e uso de drogas contribuíram para que as consequências do bullying fossem ainda mais devastadoras. No entanto, mesmo sem que haja fatores para agravar suas consequências, o bullying é extremamente prejudicial, tanto para agressores quanto para vítimas, pois tira a todos a capacidade de enxergar uns aos outros como humanos.

Justamente por isso, grande sacada do livro é nos mostrar que por trás daquele monstro que foi capaz de abrir fogo contra a escola inteira, há um ser humano que foi vítima de pessoas que ele também considerava monstros. Para Valerie, Nick era apenas um garoto doce e encantador, que amava Shakespeare. Valerie, por sua vez, não era a garota com pensamentos doentios de vingança contra todos os seus colegas de escola, mas alguém que vestia um escudo preto de durona para esconder que sofria com as brigas dos pais em casa, que sofria por não ser aceita na escola e que buscava no namorado um refúgio. No fim das contas, Valerie é vítima dos colegas que a humilhavam e levaram Nick ao extremo, e também vítima da atitude de Nick. O bullying faz com que ela seja um vítima em dose dupla.

E você, o já leu o livro, o que achou? O que você pensa sobre bullying?

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#Resenha: Extraordinário: R.J. Palacio

Olá, pessoas!

Nesse feriado aproveitei para ler Extraordinário, da autora R.J. Palacio e simplesmente AMEI! O livro é um infanto-juvenil que foi lançado aqui no Brasil em 2013, pela Editora Intrínseca, e traz uma história cheia de emoção que vai deixar todo mundo com lágrimas nos olhos em vários momentos.

Todo o livro é escrito em primeira pessoa e alterna o narrador. Começamos com a narração de August Pullman, o Auggie, que é um garoto de 10 anos que vive nos EUA e mora com seus pais, sua irmã mais velha e sua cadelinha Daisy. Ele é o protagonista do livro, então todas as demais narrações são relacionadas a ele. Acontece que August nasceu com uma doença muito séria e seu rosto não é como os das pessoas comuns, seus olhos ficam quase nas bochechas, ele mal tem orelhas, seus lábios não conseguem sorrir como os das demais crianças e ele sente muita vergonha de sua aparência. Por conta de sua doença, Auggie nunca foi para a escola: ele passava por diversas cirurgias todos os anos, então sua mãe o ensinava em casa. Até que ao chegar no 5º ano do Ensino Fundamental e não precisar mais de tantos cuidados médicos, seus pais decidem que ele deve começar a frequentar uma escola regular. É óbvio que ele está apavorado com a ideia, mas acaba indo com a promessa de que poderá desistir caso não se adapte.

No decorrer do livro, temos a narração de outros 5 personagens da estória, porém o livro termina com a volta da narrativa de August. Esse recurso utilizado pela autora é importante para que possamos ver August do ponto de vista dos personagens que convivem com ele e entendermos que ele realmente possui um problema físico e o quanto a aparência dele afeta a vida de outras pessoas. A estória é escrita de maneira extraordinariamente cativante e consegue captar a pureza dos relacionamentos infantis, seja com amigos ou com os familiares, de maneira brilhante.

Eu me arrependo de não ter lido Extraordinário antes. É um livro que fala, principalmente, sobre valores: generosidade, amizade, amor. A narrativa, apesar de nos trazer um tema delicado, é recheada de bom humor, tornando a leitura extremamente leve.