Uma crônica sobre amores imperfeitos e reais

Às vezes parece mais simples ficar sozinho. São tantas qualificações requisitadas, tantos empecilhos postos para evitar possíveis pretendentes, que temos a impressão de que fica cada dia mais difícil de encontrar quem nos agrade e iniciar um relacionamento. O moço, ou a moça, dos nossos sonhos precisa ter um tipo de beleza que nos agrade, ser inteligente, ter um gosto parecido com o nosso, ter bom humor, mas também não pode ter humor demais. Precisa gostar de viajar, de ler livros interessantes, não ser ciumento, mas precisa ter um pouco de romantismo. Diante de uma lista tão grande de pré-requisitos, acabamos por vezes fantasiando um príncipe encantado que jamais existirá. A metade da laranja, a tampa da panela, a alma gêmea, sao todas criações do imaginário coletivo.

Por mais idealizações que façamos, vamos ter que nos conformar: nossas relações são reflexos de nós mesmos e, sendo assim, nossos amores sempre serão imperfeitos e reais.

Inevitavelmente vamos nos apaixonar por alguém que tenha manias irritantes e defeitos que aprenderemos a aceitar. E provavelmente nos apaixonaremos muitas vezes por pessoas que nunca imaginaríamos que fosse possível. E, óbvio, quebraremos a cara por diversas vezes também. Mas por quê?

De Ocidente a Oriente, no Brasil ou na Islândia, não importa a cultura ou a religião, as pessoas vivem uma incessante busca pelo amor. Alguns psicanalistas afirmam que a procura por um parceiro se da por querermos sanar o vazio existencial que adquirimos diante da separação de nossas mães no nascimento, outros afirmam que buscamos relacionamentos porque é através da convivência com outrem que descobrimos facetas de nós mesmos, que temos a chance de nos encontrar e nos redescobrir.

Além de tudo isso, temos o fator influência cultural que nos faz querer casar, ter filhos, família, casa, e alguma sensação de segurança, ainda que falsa, afinal tudo pode mudar a qualquer momento.

Seja lá qual for a vertente de pensamento correta, e ainda que a nossa busca atordoada por um amor para chamar de nosso seja fruto da soma de todas essas hipóteses e mais algumas, fato é que todos nós estamos buscando o que fazer diante da vida. E se precisamos ir até o fim, sem nem saber que fim será esse, que ao menos tenhamos alguém para dividir os sonhos, os domingos chuvosos e aproveitar a sensação de aconchego que é poder ser aquilo que se é sem precisar provar nada a quem quer que seja.

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Blogueira desde 2011, escreve sobre dores, amores e livros. Paulistana e mãe de 3 gatos deseja compartilhar suas paixões nesse blog.

3 comments / Add your comment below

  1. Sou casada com um homem que é exatamente o oposto da minha personalidade. Não sei como esse relacionamento de mais de dois anos está dando certo. Nem quero tentar encontrar a fórmula.
    Me dei o luxo (e a liberdade) de conhecê-lo depois que casamos. Aliás, o casamento que mais dá certo no mundo é o indiano, exatamente por esse motivo. Isso já é socialmente comprovado.
    O amor será um busca ilimitada, constante, frequente.
    Que assim seja.
    Abraços.

  2. Não importa de quem seja o texto, Mario de Andrade, Rubem Alves, Ricardo Gondin e tantos outros, digo que não é meu, apenas apreciei o conteúdo.
    Não acredito em Papai Noel, somente em Papai do Céu, peço a Ele, um feliz e santo Natal e um próspero ano novo a todos, que venha 2014…
    eis o texto…. apreciem…

    “Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
    para a frente do que já vivi até agora.
    Tenho muito mais passado do que futuro.
    Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas..
    As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
    poucas, rói o caroço.
    Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
    Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
    Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
    cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
    Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
    assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
    Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
    da idade cronológica, são imaturos.
    Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
    de secretário geral do coral.
    ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
    Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
    minha alma tem pressa…
    Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
    muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
    triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
    mortalidade,
    Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
    O essencial faz a vida valer a pena.
    E para mim, basta o essencial!

  3. Amores imperfeitos ou desajustados, seja qual for, consistentes ou inconstantes, de que importa, são amores.
    Certo dia ouvi numa fila de banco, duas mulheres, diziam em bom tom e concordavam uma com a outra, “amor mesmo não existe, felicidade um termo passageiro, o que realmente existe é uma busca incessante de encontrar dentro de nós um sentimento bom que possamos dividi-lo com alguém seja de qualquer sexo, desde que tenha um retorno”.
    Aproveitando a fila, fiquei pensando nesse tal amor, como poderia ser, que busca é essa que tanto nós humanos amantes procuramos.
    Fiquei sem resposta quanto ao amor que não existe, ou, felicidade um termo passageiro, pensei em meus pais que estão casados ha mais de 50 anos, será que eles se toleram, será que apenas cumprem preceitos sociais, são mesmo felizes???
    Espero que sim, afinal eu acredito no amor, seja ele do jeito que for, se amássemos mais o mundo seria bem melhor.
    Abraços.

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