Uma crônica sobre amores imperfeitos e reais

Às vezes parece mais simples ficar sozinho. São tantas qualificações requisitadas, tantos empecilhos postos para evitar possíveis pretendentes, que temos a impressão de que fica cada dia mais difícil de encontrar quem nos agrade e iniciar um relacionamento. O moço, ou a moça, dos nossos sonhos precisa ter um tipo de beleza que nos agrade, ser inteligente, ter um gosto parecido com o nosso, ter bom humor, mas também não pode ter humor demais. Precisa gostar de viajar, de ler livros interessantes, não ser ciumento, mas precisa ter um pouco de romantismo. Diante de uma lista tão grande de pré-requisitos, acabamos por vezes fantasiando um príncipe encantado que jamais existirá. A metade da laranja, a tampa da panela, a alma gêmea, sao todas criações do imaginário coletivo.

Por mais idealizações que façamos, vamos ter que nos conformar: nossas relações são reflexos de nós mesmos e, sendo assim, nossos amores sempre serão imperfeitos e reais.

Inevitavelmente vamos nos apaixonar por alguém que tenha manias irritantes e defeitos que aprenderemos a aceitar. E provavelmente nos apaixonaremos muitas vezes por pessoas que nunca imaginaríamos que fosse possível. E, óbvio, quebraremos a cara por diversas vezes também. Mas por quê?

De Ocidente a Oriente, no Brasil ou na Islândia, não importa a cultura ou a religião, as pessoas vivem uma incessante busca pelo amor. Alguns psicanalistas afirmam que a procura por um parceiro se da por querermos sanar o vazio existencial que adquirimos diante da separação de nossas mães no nascimento, outros afirmam que buscamos relacionamentos porque é através da convivência com outrem que descobrimos facetas de nós mesmos, que temos a chance de nos encontrar e nos redescobrir.

Além de tudo isso, temos o fator influência cultural que nos faz querer casar, ter filhos, família, casa, e alguma sensação de segurança, ainda que falsa, afinal tudo pode mudar a qualquer momento.

Seja lá qual for a vertente de pensamento correta, e ainda que a nossa busca atordoada por um amor para chamar de nosso seja fruto da soma de todas essas hipóteses e mais algumas, fato é que todos nós estamos buscando o que fazer diante da vida. E se precisamos ir até o fim, sem nem saber que fim será esse, que ao menos tenhamos alguém para dividir os sonhos, os domingos chuvosos e aproveitar a sensação de aconchego que é poder ser aquilo que se é sem precisar provar nada a quem quer que seja.