Agridoce, 5 indicações ao VMB e um dos discos inesquecíveis do ano

Capa do disco do Agridoce indicada ao prêmio de Melhor Capa para o VMB.

Há tempos venho pensando que o disco do Agridoce é uma espécie de álbum de cabeceira para os hedonistas de plantão em busca de auto-conhecimento e boas reflexões. E não há nada que combine mais com auto-conhecimento do que liberdade. Dito isso, é válido lembrar que Pitty, desde seus trabalhos anteriores com sua banda de rock, sempre abordou esse tema. A diferença agora, além de um outro modelo, com canções tocadas em uma base de piano e violão, e instrumentos experimentais, é a maturidade, uma palavra que inclusive combina muito com o disco.

Como já foi explicado em diversas entrevistas do duo, o Agridoce surgiu de maneira nada intencional, sem compromisso algum de agradar o público, e realmente parece ter sido fruto de reflexões, conversas e raciocínios internos de Pitty e Martin, que em momento algum seriam divididos. Conversas de dois amigos, na sala de casa, que confessam coisas e encontram cumplicidade entre si. É o que percebemos ao ouvir a primeira música do CD: o som vazado e os barulhos do ambiente nos fazem entrar no universo onde foi gravado o disco e mergulhar nessa viagem que fala de busca, insatisfações, desejos, paixões, temores, liberdade e mais uma porção de outras coisas. E a mensagem na primeira música é clara, “Once in hell, embrace the devil!”, uma música que fala de mentiras boas e necessárias, e que convida o ouvinte a escutar o CD e tirar suas próprias conclusões, quase que propositalmente.

O disco do Agridoce conquista e o faz por falar de uma forma convincente, inovadora e poética de coisas que todas as pessoas já viveram, em maior ou menor proporção. Quem nunca se sentiu insatisfeito com a vida e com a humanidade, sem fé, sem conseguir enxergar graça em muitas coisas e se fechou em um mundo particular, acreditando que a vida só vale a pena se pudermos estar nos divertindo com nossos amigos e ao lado de pessoas que nos compreendem e as quais amamos? Dançando fala sobre isso, de uma maneira bonita e hedonista.

Continuando com o álbum, “Say” transforma tudo em um filme, nos fazendo recordar aquelas cenas já que além de saudade trazem cheiros, sabores e as cores de uma câmera Super 8. “Romeu”, a quarta faixa do CD, tem um tom de declaração de amor, de “música doce para pessoas amargas”, como já brincaram Pitty e Martin ao explicar o batismo de seu projeto paralelo. “20 passos” traz  Martin cantando, em uma música que, além de um dedilhado incrível, abre as portas do disco para questões um pouco mais existencialistas, trazendo a questão do auto-conhecimento e da busca presentes nas músicas que vêm mais adiante. “Ne parle pas”, a única faixa em francês do disco, é mais uma música que tem tom de declaração de amor, mas dá espaço a brincadeiras e dizeres nas entrelinhas.

“Upside Down”, é uma das melhores músicas, ganhando bastante destaque nos shows é mais uma música carregada de temas existenciais. Em “Epílogos e Finais” o tema é muito claro, como a Pitty já disse uma vez em seu blog, a injustiça que é viver e começar a envelhecer quando se está no auge da vida. “Rainy” e seu piano preparado, em contrapartida com “Epílogos e Finais”, é mais otimista, com um refrão inspirado, candidata da hit. Em “130 anos”, minha música preferida não só do disco, mas de todos os trabalhos da Pitty, é uma música que fala sobre busca, coragem de seguir sonhos e ser o que se é independente do que outros esperam que sejamos. Uma injeção de inspiração, tanto da letra quanto da melodia, que é espetacular e um dos pontos altos do show! “O Porto” fala de insatisfações, de querer sempre ser mais e melhor, outra dose de inspiração.

O disco termina com uma versão da música do The Smiths “Please, please, please, let me get what I want”, que mais parece uma prece e encerra o CD nos deixando com vontade de sentir tudo o que o disco proporciona mais uma vez. É, sem dúvida, um disco que entrou para a lista das melhores surpresas do ano e que faz jus às 5 indicações que recebeu no VMB. Espero que o trabalho renda ainda bons frutos e que coexista com a Banda Pitty, que também desejo que venha com um disco o qual eu ouça e elogie com prazer assim como o Agridoce!

Para ouvir o disco, clique aqui.

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Clipe Oficial. Direção de Ricardo Spencer. 

Para quem quiser ler a crítica do clipe e ficar um pouco mais por dentro, clique aqui.

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Blogueira desde 2011, escreve sobre dores, amores e livros. Paulistana e mãe de 3 gatos deseja compartilhar suas paixões nesse blog.

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