Usando-me!

Eu desisti de começar a escrever cartas falando de amor falando de nós. Desisti de esperar telefonemas e mensagens de texto suas e, também, de criar planos ou tentar me adequar ao que você gostaria que eu fosse. Essa não seria eu… Chutei o balde! Me despi dos truques e armaduras, passei a enxergar as coisas como eu deveria enxergá-las e não como eu gostaria.  Às vezes desperdiçamos um tempo enorme presos à amarras criadas por nós mesmos, trancados numa bolha de problemas, inseguranças e falta de amor-próprio, quando a saída para tudo está um pouco mais adiante e nem é tão difícil assim de enxergar, basta um pouco de coragem.

E escrevo na tentativa de expurgar essa minha vontade de você, de dizer a mim que eu cansei de me sentir não mais do que um apoio para quando suas ilusões se dissolvem, e nada mais. Você não tem mais o aval de uso do meu tempo.

Modo de usar-se

por Martha Medeiros

“Coitada, foi usada por aquele cafajeste”. Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.

Não costumo ir atrás desta história de “foi usada”. No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.

Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.

Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.

Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou “apenas” 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.

Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.

Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.

"She's always buzzing just like neon…" ♪

Nada melhor que o tempo para nos trazer clareza ao enxergar algumas situações. O tempo e suas incertezas, sua rapidez, seu alívio. O tempo para nos trazer respostas às questões que outrora eram dúvidas. Depois de passado um turbilhão de experiências as quais eu não sabia interpretar, de ter vivido momentos que eu nunca havia imaginado e de ter me decepcionado com as pessoas nas quais eu mais acreditava, cheguei a algumas conclusões e a principal delas é a seguinte: há uma espécie de mal inerente à raça humana, que tem o poder de destruir, corroer e é comandado pela vaidade do homem.

Estou me reerguendo depois de me livrar do egoísmo daqueles que, em nome de um cuidado patológico e obsessivo, nos condenam a uma espécie de não vida. Estou me livrando das garras daqueles que só se apoiam nos nossos ombros para lamentar e nos cospem quando não temos nenhuma outra utilidade. Eu sei, há algo de maligno em mim também e, para a frustração de alguns, tenho muito mais de Bukowski e maldita do que muitos, inclusive eu, gostariam!

E, para tanto, estou tentando viver… Viver como se não fosse haver outra aurora, como se novos momentos eternizados na memória tivessem o poder de me tornar mais forte e me fazer enxergar as coisas de outro modo, mais otimista e duro também. Mergulho em filmes, livros, conversas que duram madrugadas e que possam me dizer coisas que ainda não sei sobre mim mesma. Me perco em cinzas de fumaças e papéis, cartas, sonhos e lembranças queimadas. Me afogo em porres e mortes diárias, amnésias alcoólicas, na tentativa de deixar fluir meus lados de puta, de santa, de filosofa de botequim e dançarina de festas. É bom ser, sem máscaras.

E assim eu vou vivendo e matando todas as saudades das coisas que ainda não vivi. Vou morrendo e fazendo nascer novas faces minhas das minhas próprias cinzas. Vou me livrando de tudo que me sufoca, me entorpece e me suga, e me enchendo de tudo que me completa, me inspira e me dá gana de acordar para um novo dia e, quem sabe, novos planos, sonhos e conquistas. Eu não tenho medo do novo, mas tenho pavor de não sair do lugar. “Eu pescador de mim…”

*O título é um trecho da música Neon, de John Mayer.

Vício instantâneo: Florence and the Machine

Recheado de elementos que combinam perfeitamente entre si e letras que falam de liberdade e sentimentos, é o trabalho de Florence and the Machine, que eu descreveria como um sopro de qualidade na música atual. Não consigo parar de ouvir! Recentemente a banda, liderada por Florence Welch, lançou um MTV Unplugged, e ainda possui outros dois discos de estúdio Lungs (2009) e Cerimonials (2011).

Dona de um talento e voz incomparáveis, que parecem ter descoberto uma autenticidade muito própria, Florence, aos 25 anos, é aclamada pelo público e pela crítica, tendo sido, inclusive, considerada uma das mulheres mais bem vestidas da Inglaterra! Seu som é uma mistura de rock, indie, folk e soul.

Vale a pena conferir, então aí vai um show completo para vocês! Ao vivo no Royal Albert Hall, em Londres!

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Dica de Livro do Dia #13 – Notas de Um Velho Safado, de Charles Bukowski.

É o livro que estou lendo no momento e achando um tanto curioso e, como sempre, genial! Deixe-me explicar: após o final da Guerra Fria, os EUA ascenderam economicamente utilizando uma combinação entre poderio militar e domínio através de ideias. Entre elas, está o famoso sonho americano! O “American Way Of Life”, aliado à “Política da Boa Vizinhança” e “Doutrina Truman”, se mostrou eficiente na missão de fazer com que nações do mundo inteiro adotem os EUA como o objeto de desejo. Os filmes nos fazem invejar os americanos, suas casas, seus estilos de vida. As propagandas de televisão nos fazem querer consumir o que eles consomem, McDonald’s, Burguer King, Coca-cola, e abominar os elementos de nossa própria cultura, como a música, a literatura, etc.

Por isso, ler Bukowski é tão importante, ele nos proporciona um salto no universo, nos abre os olhos para as mentiras embaladas que consumimos! Tendo vivido num cenário após a recessão de 1929, num ambiente de pobreza e desespero, ele nos uma realidade que não aparece nos filmes e seriados que adoramos assistir! E, muito embora seus livros tenham sido publicados há bastante tempo, ainda se fazem válidos em sua atualidade e lucidez, revelando as mazelas de uma sociedade onde exitem os pobres, os bêbados, os que são infelizes e menosprezados pela sociedade e sua hipocrisia!

Sinopse: Em Notas de um velho safado, a América tem uma cara de 50 anos, corpo de 18 e desfila de calcinha rosa claro e salto alto na madrugada corrosiva de Los Angeles. A América é um sapatão furioso com uma garra metálica no lugar da mão esquerda e não quer saber de transar com o Velho Safado. A América é uma deusa milionária com a qual ele se casa e da qual amargamente se separa. A América é uma prostituta, 150 quilos, um metro e meio de altura, que peida, uiva e destroça a cama quando goza. A América é também estudantes e revolucionários proferindo discursos inflamados em parques ensolarados de São Francisco no final da década de 60. A América é Neal Cassady dirigindo alucinadamente pelas ruas de Los Angeles, pouco tempo antes de morrer de overdose sobre os trilhos de uma ferrovia mexicana. A América é Jack Kerouac e Bukowski poetando na Veneza californiana. 

Notas de um velho safado forma um conjunto de histórias excepcionais saídas de uma vida violenta e depravada, horrível e santa. Não podemos lê-lo e seguir sendo os mesmos. 

Dica de Livro do Dia #12 – P.S. Eu te amo, de Cecelia Ahern

Minha dica de hoje será um pouco diferente do usual, uma ajudinha para quem deseja melhorar o inglês e se divertir ao mesmo tempo. Comprei esse livro há muito tempo, quando o filme nem havia sido lançado ainda, e comprei exatamente por achar a capa legal! Porém o livro estava em inglês e eu nunca havia lido 600 páginas de um pocket book em inglês! Oxford Dictionary em mãos e todos os dias, religiosamente, no horário da novela das 8 da Globo, eu me retirava para o quarto e começava a ler. Após 30 páginas consegui me familiarizar com a linguagem do livro e abandonar o dicionário.

Cecelia Ahern conta a história de Holly, uma moça que ficou viúva recentemente e recebe um pacote com dez cartas escritas por seu marido enquanto o mesmo terminava seus dias no hospital, uma para cada mês, que devem ajudá-la a levar a vida sem ele. É um livro que irá fazer chorar muito, mas também dar boas gargalhadas! Como a história de passa em Dublin, na Irlanda, o bom de lê-lo em inglês é aprender um pouco mais de inglês britânico, além de algumas gírias locais!

Sinopse: Holly e Gerry desejavam ficar juntos pelo resto de suas vidas, mas um tumor cerebral levou Gerry, aos 30 anos. Sentindo-se perdida e solitária, Holly finalmente encontra uma motivação para continuar vivendo quando recebe um pacote, que havia sido enviado por seu marido antes de morrer, intitulado – ´A Lista´. No pacote, várias cartas com instruções de como ela poderá sobreviver sem a presença dele, todas acompanhadas de um ´P.S. – eu te amo´.

Filme da Semana #2 – Para Sempre (The Vow – 2012)

A trama de Para Sempre (acho que poderiam ter escolhido um nome diferente para o filme, mas enfim!) nos parece familiar: conta a história de um casal que vive feliz, recém-casado, e que num acidente de carro, toma um rumo completamente inesperado: Page (Regina George Rachel McAdams) ,perde a memória e seu marido, Leo (Channing Tatum, de Querido John), se vê desesperado na tentativa de reconquistá-la novamente. Porém, o filme não se parece em nada com “Como se fosse a primeira vez”, com a Drew Barrymore e Adam Sandler.

Fotografia ótima, trilha sonora gostosa de se ouvir e sensibilidade.

Sinopse: Page (Rachel McAdams) e Leo (Channing Tatum) viviam uma linda história de amor, mas um grave acidente de carro provocou uma grande mudança em suas vidas. Afinal, mesmo estando casados, ela não consegue se recordar de nada e muito menos ter algum tipo de memória sobre o relacionamento deles. Agora, resta para Leo a missão de reconquistá-la novamente para que possam então viver o romance que sempre desejaram. Baseado em fatos reais.

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