Luís Antônio – Gabriela, um "Comum de dois"

Foto de Bob Souza. Luís Felipe interpretando Luís Antonio. Divulgação.

Travesti: Aquele que não é nem homem e nem mulher, mas é ao mesmo tempo os dois. Comum de dois gêneros.

A peça Luís Antônio – Gabriela, em exibição na Funarte, em São Paulo, até dia 26/02 é uma obra prima que conta a história de um travesti que vive na década de 60 e vale muito a pena ser vista. Batizada com o nome de batismo do personagem no qual é inspirada e com seu nome de travesti, a peça ganha pela sensibilidade ao retratar uma história real, sem cair em clichês e fugindo ao drama, transformando-o em poesia e musicalidade.

O cenário é bastante peculiar, marcado por cartazes, objetos cenográficos inusitados e originais, imagens contundentes e bolsas de soro que pendem do teto, simbolizando a fraqueza dos personagens e a doença da sociedade, numa história que mesmo tendo se passado há mais de 50 anos, continua atual em sua temática. Com algumas frases e músicas marcantes, cantadas pelos próprios atores, a peça termina e deixa algumas questões em aberto, além de uma mensagem anti-homofobia, fazendo o público se emocionar. Incrível, contundente e corajosa!

Complexo Cultural Funarte São Paulo
Sala Carlos Miranda 

Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos
Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô
Informações:3662.5177

Quinta a Domingo às 21h30
Ingressos: R$ 5
Duração: 88minutos
Gênero:Documentário Cênico
Recomendação: 16 anos
Reestreia 12 de janeiro.
Temporada: até 26 de fevereiro

Direção de Nelson Baskerville
Intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin

Elenco: Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.

“A vida é tão curta e a gente se doa aos pedaços!”

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Um Espelho de Reflexo Invertido (ou "No Surprises")

De alguns anos para cá, tenho achado o mundo paradoxalmente morno e parado. Enquanto há guerras, revoltas populares na Europa e no Oriente Médio, a mídia nos bombardeia com informações que chegam por todos os cantos e as responsabilidades e exigências da vida contemporânea crescem a cada dia, eu pessoalmente tenho achado que nada sai do lugar, sentido que remamos e continuamos parados, sem inovar, vítimas de nossas próprias certezas e escravos das regras que criamos para nos auxiliar a viver com mais eficiência. E ao pensar no porquê, caio num saudosismo errôneo de achar que épocas anteriores à nossa eram mais saborosas. Posso imaginar o cheiro delas, o seu gosto, o visual das ruas, as discussões entre as pessoas, a arte fervilhando, personalidades que eram de fato subversivas, suas peças de teatro, os livros que eram lançados, as músicas que faziam sucesso nos bailes e tocavam nas rádios. Essa imagem que assombra minha cabeça talvez seja ilusória, mas me faz entender das coisas que sinto falta de viver.

No meu mundo ideal, nós lutaríamos contra esse marasmo, falaríamos o que realmente pensamos e teríamos embasamento, daríamos um basta nessa doença popular que é a sede de ser politicamente correto e moralista, e acima de qualquer hipocrisia, lutaríamos e faríamos protestos por problemas reais e não deixaríamos a vontade de tapar o sol com a peneira vencer. Não faria o menor sentido pessoas tentando barrar o direito de outras a serem livres, ou tentando impôr suas crenças religiosas, nos fazendo engolir o que é chamado de liberdade religiosa e, na realidade, só serve para mascar o desrespeito para com a diversidade sexual e de pensamento, ou com tudo que for diferente e alheio. Também não teria nenhum sentido cultuar ídolos teen de dezoito anos que lançam biografias de suas vidas para contar não sei o quê, ou ícones pop que não fazem absolutamente nada além de cantarem sobre os mesmos temas que são abordados há décadas e nem ao vivo conseguem cantar, recorrem ao playback, ou pior, celebridades instantâneas de quinze minutos que não possuem nada além de atrativos estéticos para mostrarem.

Entendo que através de arte ou de outros meios, todos precisam extravasar o stress diário, mas, no meu mundo ideal haveriam anti-heróis e heróis de verdade, que muito além de artistas, seriam também livres pensadores e criariam dentro de cada pessoa uma ânsia pelo questionamento e a reflexão, nos permitindo enxergar mais além, nos dando bons e maus exemplos, e não ídolos como os de hoje, que poderiam ser qualquer um de nós se tivéssemos um pouco mais de dinheiro, sorte e uma boa equipe.

O cotidiano atual tem funcionado como um espelho de reflexo  invertido onde mesmo com escândalos estampando capas de jornais e revistas, catástrofes, notícias de corrupção e mais um centenas de outros absurdos como abusos, violência, injustiças, fofocas e os pequenos “Big Brothers” que existem nas redes sociais, me sinto anestesiada de tédio e ceticismo. Por que tanta inércia, meu deus, por quê?

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O Segredo dos Lírios

Hoje minha indicação é um vídeo que conheci através de um amigo e achei muito bacana, um micro-documentário chamado ‘O Segredo dos Lírios’, que registra alguns depoimentos de mães que contam como é a relação com suas filhas homossexuais, de como se sentiram quando descobriram que suas filhas são gays e como a descoberta modificou para melhor seus relacionamentos familiares. Vale a pena conferir:

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Will, obrigada pela dica!

Foi assim, é assim, mas assim é demais também…

Tenho pensado em tantas coisas, que fica difícil não escrever… É  nas palavras que tenho encontrado conforto dentro de mim mesma, e me escondido para poder encontrar fragmentos perdidos dentro de mim e entender o que se passa. Sei de cada detalhe meu, tenho planos perfeitamente traçados, só esperando a hora de começarem a ser realizados, sei de cada falha e cada ponto positivo, sei de mim com tanta clareza que não preciso mais de espelhos, talvez só precise achar a cartilha que me ensine a lidar com isso.

E onde achar a cartilha, onde aprender a ser gentil comigo mesma, onde aprender a ter calma, a complacência, a deixar de impôr a mim mesma uma pressão muito maior do que a que vem de fora? Tenho um desespero muito grande, uma vontade incrível de ser alguém, porque no fundo eu sei que até liberdade é um bem adquirível e comprável nesse país onde a lei não existe, e em todos os lugares. Tenho minhas muitas idiossincrasias e desespero para sustentá-las até quando elas existirem, quero levar um estilo de vida tão meu, que o preço a pagar por isso não é só simbólico e emocional, mas financeiro também.

E com tudo isso, acho absurda a capacidade que algumas pessoas têm pra pregar aquele discurso do “pobre menina rica”, a que sempre teve tudo e não sabe a hora de parar de pedir por mais, a que tem tudo, mas não tem paz. A questão aqui é querer sempre ser mais, e pra minha satisfação apenas, de muitas vezes abrir mão de algumas coisas para poder construir outras, e ralar para conseguir todas elas. De conciliar meus hobbies e as muitas obrigações, de nunca achar nada bom o suficiente para me contentar e parar de ir em busca de coisas novas, de abrir mão de muitas coisas que nos meus 19 eu deveria estar ocupada pensando, mas estou na verdade ocupando esse tempo com assuntos mais pertinentes. A questão é encontrar um sentido para mim, e não para o mundo.

Eu tenho preguiça dos que não fazem nadas com suas vidas e acham que é pecado, que é triste e mais um monte de coisas eu fazer algo da minha.

* O título é um trecho da música “Odeio”, do Caetano Veloso.

Máquina de inventar sonhos

Parece que o tempo passou por mim como um furacão, derrubando milhares de certezas e trazendo outras, desconstruindo ideias, pessoas, amores e trazendo em troca um mundo de situações que eu não imaginava que fossem possíveis. É estranho me lembrar como era minha vida em janeiro do ano passado, quem eram as pessoas mais próximas, quais eram meus planos para o restante do ano e olhar pro agora e ver que metade de tudo isso não se manteve e que talvez tenha até mudado para melhor… E parece besteira, mas é estranho ver tudo em paz, tudo no seu devido lugar. Quando isso acontece, por mais gratificante que seja poder deitar a cabeça e ver que algo se concretizou, surge uma folha em branco na minha cabeça pronta para começar a ser escrita novamente, num ciclo vicioso onde as drogas são os sonhos e eu estou sempre os perseguindo… Digo isso porque o momento em que nasce um sonho é um dos acontecimentos mais bonitos, onde dentro de nós nos sentimos corajosos e capazes, livres e certos a respeito de quem somos e quais são as nossas aspirações, e temos a sensação de que nada pode nos deter. Assim, no momento em que um sonho se concretiza, somos impelidos a inventar outros, continuamente.

E com tudo, consequentemente, chega a sempre presente insatisfação, a ostentação, o querer desenfreado de coisas que muitas vezes nem sabemos o que são, mas continuamos querendo, talvez como forma de descobrir a respeito de nós mesmos transformando tudo em imagens a serem perseguidas. Sonhos vividos no jardim, viagens a outros universos, idealização que nascem, crescem e desaparecem num piscar de olhos e dão lugar à novas, a à insatisfação de nunca estarmos satisfeitos, de sempre procurarmos novos sentidos para a vida, e irmos atrás de recomeços…

Perdi a conta de quantos recomeços já vivi, mesmo que intimamente, sem que todos ao meu redor pudessem notar, só para sentir o gosto de algo novo, ter assuntos novos para refletir, pensar, falar e escrever… Quem sabe por isso, vivo sempre com essa sensação de que o tempo passa como uma vassoura, levando milhares de coisas que ontem estavam aqui para a memória e as mantendo lá. Um dia elas terão algo a me dizer…

Os franceses e seus filmes

Tenho me entregado muito ao cinema francês ultimamente, ou filmes rodados na França, e algo que sempre me encanta neles é sua trilha sonora sempre incrível e sublime, que combina com os filmes e sutilmente penetra na cabeça do telespectador que, sem perceber, começa a cantarolar as canções. Então escolhi fazer um TOP 3 das melhores canções de filmes franceses (ou que têm como cenário algum lugar na França) que eu adoro. Enjoy!

3º lugar – O fabuloso destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain, 2001) – A música “Comptine d’un autré d’été l’apres” marca muito e deixa o clima do filme melhor ainda. Assim como a trama, a música vai acelerando aos poucos e é por isso que se encaixa perfeitamente à estória.

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2º lugar – Meia noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) – O roteiro do filme é incrível, e com muito sucesso nos leva a Paris dos anos 20 e nos mostra a incrível explosão cultural e artística da época, ao som de “Let’s do it” de Cole Porter. (O vídeo contém Spoiler.)

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3ºlugar – Amor ou Consequência (Love me if you dare. En./Jeux d’enfants Fr., 2003) – É, sem sombra alguma de dúvida, o melhor filme de romance que já assisti. A estória foge ao padrão americano dos filmes de romance da sessão da tarde, é engraçado, surpreende, emociona e faz sorrir. Além disso, a trilha sonora é brilhante e casa perfeitamente ao filme, deixando-o ainda mais com o ar de magia e sutileza que ele já possui. Vale muito a pena o filme e a trilha sonora feita por Louis Armstrong e “La vie en Rose”. (O vídeo contém Spoiler.)

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E vale a pena ainda conhecer as demais músicas que tocam nesses filmes, são todas muito boas!