Fique calmo e escreva um bom texto!

Como bem foi colocado em uma das questões do Enem, se o Twitter serviu pra alguma coisa, foi pra exercitar a concisão das pessoas. As ensinou direitinho como ir direto ao ponto e já era hora. Gosto muito de ler textos e livros que forçam meus neurônios a interpretar, mas não há nada mais delicioso do que um texto simples, não pobre de vocabulário ou livre de rebuscamentos, mas que seja limpo, claro, convidativo. Nesse aspecto, ao se tratar de textos artísticos, compartilho da opinião de Chaplin, afirmando que “o assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é – ou deveria ser – a mais elevada forma de arte.”.

Salvo textos complexos porém bem escritos, há alguns que até poderiam ser bons, pois suas intenções são sinceras e inovadoras, não fosse seu caráter exagerado que confere ar de superficialidade ao tema desenvolvido.

Não polua seus textos com informações demais, isso o torna chato, soa mesquinho, o torna cansativo. RESPIRE! Use pontos finais, separe suas ideias diferentes em parágrafos, não seja afobado, jogando todo o conteúdo do seu texto todo de uma vez. Faça com que o leitor se interesse, fique preso ao que você está dizendo, dando as dicas, destrinchando duas ideias devagar. Nada mais chato do que texto vomitado nos dois primeiros parágrafos e que se estende por mais dois, pra continuar falando de coisas que ninguém teve paciência, interesse e curiosidade de ler no começo! #MomentoFicaaDica

"Ah, será que o tempo tem tempo pra amar?"

Hoje pensei demais, foram 5 horas e alguns tantos minutos resolvendo questões, e essas podiam definir o que se seguirá da minha vida do gabarito para o sempre. Tentei não pensar muito nisso, detesto pressão, obrigação, ansiedade, dor de estômago, e por isso acabei pensando numa série de outras coisas… Gosto de olhar as pessoas subindo e descendo pelas escadas rolantes do metrô, paradas esperando, sentadas nos assentos dos vagões que entro e nos que passam por mim; em meio ao stress, me acalma imaginar como algumas delas se chamam e como são suas vidas, tentar entender o que suas roupas, seus cabelos, seus sorrisos, dizem sobre o que elas são na realidade. Se são felizes ou tristes. E por que não, pensar o que tudo isso – cabelos, sapatos, feições – revela às pessoas sobre mim.

Sempre acho que a primeira impressão das pessoas a meu respeito não é muito positiva; não tenho cara de pessoa sociável e acredito que as pessoas me acham muito mais explosiva e problemática do que eu realmente sou. É culpa das influências antigas, do tempo, que passou e esqueceu de levar consigo coisas que não fazem mais parte de quem eu sou agora… Incrível como a cada ano a gente muda. Há dois anos eu podia jurar que hoje seria a mesma, e agora, acredito que em dois anos não mais me reconhecerei. Algumas vezes imagino minhas certezas de desmanchando bem na minha frente e eu sendo apenas um vazio tentando se preencher de ideias, cores e sentimentos novos. Parece tudo muito real.

Acredito ou não acredito em Deus? O que é que faço pra ser coerente e justa comigo mesma? Como é que me defendo do mundo e dos meus próprios tormentos sendo tão aberta e tão sincera comigo e com o mundo? Apesar de culpado por alguns bocados, o tempo me fez perceber que se responde a algumas perguntas praticando o difícil exercício de gostar de si mesmo e buscar em si o próprio conforto… É assim que vou me encontrando, me descobrindo em novos tons, timbres, sintomas. E é nessa simplicidade de ser complexo, que muitas vezes eu tento ser simples de fato, andar sempre pressa, ouvir poesia cantada, escrever bem simples, sorrir quando eu poderia não alterar minha expressão, mas como diria Clarice, “que ninguém se engane, só se consegue ser simples através de muito trabalho.”.

*Título extraído da música “O Tempo” – Móveis Coloniais de Acajú.

O 'Brinquedo Torto' de Tempos Modernos

Charles Chaplin é um dos cineastas, humoristas e pensadores mais incríveis que o mundo já teve o privilégio de conhecer. Seus filmes, carregados do humor e críticas, são geniais e não há outra palavra que melhor os defina. O meu preferido é, sem dúvida alguma, Tempos Modernos. O filme começa com um relógio e uma música frenética que ajuda Chaplin a compor uma metáfora irônica e brilhante: centenas de ovelhas indo para o abate com pressa e medo e, logo em seguida, milhares de homens nas ruas, acelerados, indo para as fábricas, onde se tornam apenas uma peça do maquinário do sistema capitalista, reduzidas a uma função repetitiva e alienante, prestando ordens a um patrão, sendo ordenados. Um crítica maravilhosa à sociedade que se formou logo após a primeira Revolução Industrial, onde os operários eram engolidos pelo poder do capital e aquele que fosse contra o sistema e suas imposições acabava excluído da sociedade e posto às suas margens. Pausa.

Coincidência ou não, há algum tempo, ouvindo Brinquedo Torto, da Pitty, tive um insight relacionando a música a Tempos Modernos. No filme, o personagem de Chaplin (Carlitos) é engolido pela máquina,  metáfora que simboliza o homem sendo devorado pelo sistema (capitalista), que é exatamente o tema de Brinquedo Torto. Sofremos controle do Estado e do sistema a todo instante, de maneira muito velada e sutil, de forma que não podemos visualizar isso de maneira clara. Assim como Carlitos e todos aqueles homens uniformizdos que aparecem no início do filme,  fomos todos engolidos pelo maquinário do sistema e dançamos a música que nos mandam.

“Esqueci as regras do jogo e não posso mais jogar, veio escrito na embalagem ‘use e saia pra agitar’, vou com os outros pro abate, o meu dono vai lucrar. Seja cedo ou seja tarde, quando isso vai mudar? (…)”. É assim que a Brinquedo Torto começa, com uma Pitty nada direta nos fazendo um convite ao pensamento e instigando nossa crítica. Enquanto Chaplin retrata a sociedade e sua dinâmica, Pitty nos faz perceber a maneira como nos adequamos à ela, nos submetendo a regras, adquirindo valores que não são verdadeiramente nossos , vendendo nossa mão-de-obra, nossa capacidade intelectual, nos rendendo a tudo que foi previamente estabelecido pelo estado e pela mão invisível que comanda o sistema; em suma, assumimos personagens e esquecemos quem deveríamos ser.

O filme e a música se encaixam por fazerem a mesma crítica de um sistema que controla as pessoas para que assim possa lucrar, e que exclui aqueles que fogem aos padrões pré estabelecidos que garantem a massificação do pensamento dos indivíduos que constituem a sociedade, já que, pensando da mesma forma, é mais fácil manter a ordem; cria-se uma mostro com vários braços e pernas e uma só cabeça, para que este possa ajudar a combater qualquer forma de subversão, fazendo com que a sociedade sabote a si mesma e jamais se volte contra as normas.
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Pitty – Brinquedo Torto

Esqueci as regras do jogo
E não posso mais jogar
Veio escrito na embalagem
Use e saia prá agitar
Vou com os outros pro abate
O meu dono vai lucrar
Seja cedo ou seja tarde
Quando isso vai mudar?

Não me diga: eu te disse
Isso não vai resolver
Se eu explodo o meu violão
O que mais posso fazer?
Isso é tão desconfortável
Me ensinaram a fingir
E se eu for derrotado
Nem sei como me render

E eu me vendo como um brinquedo torto
E eu me vendo como uma estátua
E eu me vendo como um brinquedo torto
E eu me vendo como uma estátua

Esqueci as regras do jogo
E não posso mais jogar
Veio escrito na embalagem
Use e saia pra agitar
Vou com os outros pro abate
O meu dono vai lucrar
Seja cedo ou seja tarde
Quando isso vai mudar?

E eu me vendo como um brinquedo torto
E eu me vendo como uma estátua
E eu me vendo como um brinquedo torto
E eu me vendo como uma estátua (2x)

Uma estátua
Uma estátua
Uma estátua.