Anne Frank: Uma História sobre o Holocausto

O Diário de Anne Frank é um dos livros mais importantes e comoventes já publicados. Trata-se de um retrato do holocausto escrito por uma menina judia de 13 anos que, devido a perseguição aos judeus, passou 2 anos escondida com sua família e alguns amigos, em cômodos secretos, num prédio comercial de Amsterdã, chamados de Anexo Secreto. Foi nesse ambiente que Anne Maria Frank, nascida em Frankfurt, na Alemanhã, em 1929, passou sua adolescência e encheu as páginas de seu diário com suas intimidades, descobertas de adolescente, reflexões, e, principalmente, dados sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre a perseguição aos judeus. Mais do que escritos de uma adolescente, o Diário de Anne Frank é a voz de mais de 6 milhões de judeus que perderam suas vidas e tiveram seus sonhos interrompidos com a perseguição, além de apresentar ao mundo uma das personalidades mais brilhantes já vistas: a de uma jovem que mesmo com poucos motivos, ainda mantinha sua fé da bondade humana e mantinha esperanças de ter um futuro feliz. Seu diário é até hoje um dos livros mais vendidos e traduzidos no mundo todo, sendo uma verdadeira lição de sensibilidade e humanismo, emocionando e inspirando leitores.

Sua história mundialmente conhecida se transformou em quadrinhos, desenho animado, documentários, inspirou filmes como “Escritores da Liberdade” e foi, inclusive, utilizada no discurso de Nelson Mandela pós recebimento  do prêmio humanitário da Fundação Anne Frank em 1994, “onde disse à milhares de espectadores em  Johannesburgo  que havia lido o diário de Anne Frank enquanto estava na prisão e que ‘sentiu um grande alento com isso’. Comparou a luta de Anne contra o nazismo com a sua própria contra o apartheid, traçando uma linha paralela entre as duas filosofias com o comentário ‘porque estas crenças são evidentemente falsas, e porque foram, e sempre serão, desafiadas por pessoas iguais a Anne Frank, e destinadas ao fracasso’.”

Após dois anos vivendo na clandestinidade, Anne Frank e os demais moradores do Anexo Secreto foram denunciados por vizinhos anti-semitas e levados a campos de concentração. Anne morreu de tifo no campo de concentração de Bergen-Belsen, em 31 de março de 1945, aos 15 anos. O único sobrevivente de sua família foi seu pai, Otto Frank. O mesmo decidiu publicar o diário da filha depois de descobrir que o grande sonho de Anne era ser escritora e que seus escritos servissem de registros do holocausto. Nem seu pai sabia o quão especial era Anne Frank.

Hoje, o Anexo Secreto pode ser visitado e é conhecido como o Museu de Anne Frank, localizado em Amsterdã. O local é um dos pontos turísticos mais visitados da Holanda e sua história permanece emocionando pessoas em mais de 70 línguas.

Sábado, 15 de julho de 1944

“(…) Pois em suas mais íntimas profundezas, a juventude é mais solitária que a velhice.” Li esta frase em algum livro, acho-a verdadeira e lembro-me sempre dela. Será verdade que os mais velhos passam por maiores dificuldades que nós? Não, sei que não é assim. Gente adulta já tem opinião formada sobre as coisas e não hesita antes de agir. É muito mais duro para nós, jovens, manter a firmeza e as opiniões em tempos como estes em que os ideais são destruídos e despedaçados, as pessoas põem à mostra seu lado pior e ninguém sabe mais se deve crer na verdade, no direito e em Deus.

Quem afirma que os mais velhos passam por dificuldades maiores certamente não compreende a que ponto nossos problemas pesam sobre nós; problemas para os quais somos jovens demais mas que aparecem continuamente até que acreditamos, depois de muito tempo, haver encontrado uma solução; só que a solução parece não resistir aos fatos que, de novo, a reduzem a nada. Esta é a maior dificuldade desses tempos: surgem dentro de nós ideais, sonhos e esperanças, só para encontrarem a horrível verdade e serem destruídos.

Realmente, é de admirar que eu não tenha desistido de todos os meus ideais, tão absurdos e impossíveis eles são de se realizar. Conservo-os, no entanto, porque apesar de tudo ainda acredito que as pessoas, no fundo, são realmente boas. Simplesmente não posso construir minhas esperanças sobre alicerces formados de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo transformar-se gradualmente em uma selva. Sinto que estamos cada vez mais próximos da destruição. Sofro com o sofrimento de milhões e, no entanto, se levanto os olhos aos céus, sei que tudo acabará bem, toda essa crueldade desaparecerá, voltarão a paz e a tranquilidade.

Enquanto isso, é necessário que mantenha firme meus ideais, pois talvez chegue o dia em que os possa realizar.

Sua Anne”

Os Poetas Malditos: Charles Bukowski

Hoje venho aqui falar de um dos maiores escritores malditos que esse mundo já teve o prazer, ou desprazer de conhecer: Charles Bukowski. Nascido na Alemanha e criado nos EUA, em ambiente familiar completamente desestruturado, Henry Charles Bukowski Jr. encontrou abrigo na literatura e no álcool, escrevendo obras brilhantes que refletem os problemas os quais enfrentou por toda a vida. Na infância, foi por perturbado pela presença de um pai frustado e violento que o espancava pelos mínimos motivos e, na adolescência, era excluído devido à sua classe social baixa e por ter o rosto deformado por acnes que o fizeram passar por uma série de tratamentos médicos.

Produtos de noites de sexo barato, porres e uma vida errante, suas obras fugiam à nata dos romances olímpicos que tratavam de fantasias e amores épicos. Sem ressalva alguma, Bukowski narra em seus livros e poemas as mazelas de seu mundo e de sua geração, os problemas de uma sociedade baseada nas boas aparências e hipócrita. Foi dessa forma que o escritor ganhou sua fama, encantou pessoas com seu humor ácido, ironias e sarcasmo espetaculares, e escreveu obras com as quais qualquer pessoa com o mínimo senso do que vem a ser a realidade, se identifica. “Essa capacidade de transformar o dia-a-dia em poesia, de pegar as bebedeiras triviais, as angústias adolescentes e transforma-las em arte é a mágica de Bukowski.” O autor fez da sarjeta, dos bares, hotéis baratos, e do cenário de Los Angeles, sua inspiração. Mesmo sem criar finais felizes, Bukowski criou um mito ao redor de si.

“Como qualquer um pode lhe dizer, não sou um homem muito bom. Não sei que palavra usar para me definir. Sempre admirei o vilão, o fora-da-lei, o filho-da-puta. Não gosto dos garotos bem barbeados com gravatas e bons empregos. Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que me interessam. Sempre cheios de supresas e explosões. Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas. Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade.”

“Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos. Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.”


“Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.”

“Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.”

Bukowski morreu em 9 de março de 1994, aos 73, de Leucemia. Dentre suas obras principais estão:

  • Misto Quente
  • Mulheres
  • Hollywood
  • Crônicas de um Amor Louco
  • Pulp
  • O Amor é um Cão dos Diabos
  • A Mulher Mais Linda da Cidade
  • Cartas na Rua